O Cartão Best Gold Plus Visa é o cartão de recompensas do Banco Best e dirige-se a quem gasta com regularidade no cartão e paga a fatura por inteiro. Dá a escolher entre 100 milhas TAP Miles&Go por cada €100 em compras a crédito ou €1 de cashback por cada €300 gastos — um ou outro, nunca os dois. Custa €40 por ano e tem uma TAEG de 18,5%, que corresponde ao máximo legal em vigor. O nosso veredito, numa frase: é um cartão de acumulação razoável e um cartão de crédito caro, e só faz sentido para quem nunca deixa saldo por liquidar.
O que é este cartão
O Best Gold Plus Visa é emitido pelo Banco Best, opera na rede Visa e está posicionado na categoria de milhas. É um cartão de crédito clássico com um programa de recompensas acoplado, e não um cartão co-branded da TAP — distinção importante, porque permite acumular milhas TAP Miles&Go sem passar por um produto emitido em parceria com a companhia aérea.
A proposta assenta em três pilares. O primeiro é a recompensa: 100 milhas TAP Miles&Go por cada €100 em compras a crédito, creditadas na conta Miles&Go que o titular indicar. O segundo é a alternativa em dinheiro: €1 de cashback por cada €300 em compras a crédito, creditado mensalmente na conta cartão. O terceiro é o financiamento: compras acima de €250 podem ser pagas em até 59 prestações.
O ponto que o banco não coloca em destaque, mas que muda a leitura do produto, é que milhas e cashback são mutuamente exclusivos. O titular escolhe um dos dois programas; não acumula os dois em simultâneo. Quem entra no cartão a pensar somar milhas e receber dinheiro de volta está a partir de um pressuposto errado.
Esta é a primeira análise que a Redação Ibericash publica sobre este cartão, que entrou agora no nosso catálogo. Atribuímos-lhe 4 em 5, com as reservas que explicamos adiante — sobretudo no capítulo dos juros.
Custos reais
A comissão anual — que o preçário do Banco Best designa por comissão de disponibilização — é de €40, acrescida de Imposto do Selo. Não há primeiro ano gratuito: os €40 são cobrados logo no ano de adesão e repetem-se nos anos seguintes. O preçário consultado não prevê qualquer condição de isenção, seja por volume de compras, seja por domiciliação de ordenado. É um custo fixo, e é assim que deve ser tratado nas contas.
Não existe comissão de manutenção mensal: esse valor é efetivamente zero. Quanto ao Imposto do Selo sobre a comissão anual, o preçário indica apenas «+ Imposto do Selo», sem taxa explícita para esta rubrica — ao contrário do adiantamento de numerário e da substituição de cartão, onde indica 4%. O valor final deve, por isso, ser confirmado junto do banco.
Nas compras, o cartão é isento em euros dentro do Espaço Económico Europeu, o que cobre a esmagadora maioria da despesa de um consumidor residente em Portugal. Fora disso, os custos sobem depressa: 1,35% em coroa sueca e leu romeno, e 2,50% mais 1,35% — 3,85% no total — nas restantes moedas e fora do EEE. Numa viagem com €1.500 de despesa nos Estados Unidos, isso representa cerca de €58 só em comissões cambiais.
O adiantamento de numerário é o custo mais penalizador do preçário e deve ser evitado por princípio: €4,25 mais 4,50% por operação, acrescido de Imposto do Selo de 4%. Num levantamento de €200, a comissão inicial ronda os €13,25 antes de imposto — mais de 6% do montante levantado, e ainda antes de contar juros.
| Custo | Valor |
|---|---|
| Comissão anual (disponibilização) | €40 no 1.º ano e nos seguintes, + Imposto do Selo. Sem condições de isenção no preçário |
| Comissão de manutenção mensal | €0 |
| TAN (taxa anual nominal) | 11,75% fixa |
| TAEG | 18,5% |
| Compras em euros no EEE | Isento |
| Compras em coroa sueca ou leu romeno | 1,35% (comissão de serviço moeda estrangeira) |
| Compras noutras moedas e fora do EEE | 2,50% (processamento de transação internacional) + 1,35% (serviço moeda estrangeira) |
| Adiantamento de numerário no EEE em euros (ATM ou balcão) | €4,25 + 4,50%, + Imposto do Selo de 4% |
| Adiantamento de numerário em coroa sueca ou leu romeno | €4,25 + 4,50% + 1,35% |
| Adiantamento de numerário noutras moedas | €4,25 + 4,50% + 2,50% + 1,35% |
| Adiantamento em conta (browser, telefone ou app) | €4,25 + 4,50%, + Imposto do Selo de 4% |
| Substituição de cartão | €22,00 + Imposto do Selo de 4% (apenas por perda, roubo, furto, apropriação abusiva ou mau estado) |
| Recuperação de valores em dívida | 4% sobre a prestação vencida e não paga (mín. €12, máx. €150) |
| Taxa moratória | +3% ao ano sobre a taxa de juro do contrato, a título de cláusula penal |
| Período de isenção de juros | Não publicado pelo emissor — a confirmar junto do Banco Best |
Juros e o custo de não pagar tudo
Este é o capítulo que determina o veredito. O cartão tem uma TAN fixa de 11,75% e uma TAEG de 18,5%. O Banco de Portugal fixa um máximo trimestral de TAEG e, no 3.º trimestre de 2026, esse máximo é de 18,5% para cartões de crédito. Ou seja: este cartão está exatamente no teto legal. Não é possível ser mais caro sem violar a lei.
A distância entre a TAN de 11,75% e a TAEG de 18,5% é reveladora. A TAN mede apenas o juro; a TAEG incorpora também as comissões e encargos obrigatórios. Quase sete pontos percentuais de diferença mostram o peso que a comissão anual de €40 e os restantes encargos têm no custo efetivo do crédito.
Na prática, e usando apenas a TAN: 11,75% ao ano correspondem a cerca de 0,98% ao mês. Um saldo de €1.000 arrastado durante um mês gera aproximadamente €9,79 de juros. Mantido durante doze meses, o encargo aproxima-se dos €117,50 — a que há ainda que somar os €40 de comissão anual. Total: cerca de €157,50 por ano para ter mil euros por pagar.
Compare-se com o que o cartão devolve. No programa de cashback, €1 por cada €300 significa um retorno de 0,33%. Gastar €12.000 num ano rende €40 — exatamente o que custa a comissão anual. Nesse cenário, arrastar mil euros de saldo durante o ano destrói o benefício quase três vezes.
Sobre o pagamento em até 59 prestações para compras acima de €250: a ficha do produto não especifica que taxa é aplicada a essa modalidade. Se lhe for aplicada a TAN de 11,75% do cartão — hipótese que o preçário consultado não confirma para este plano — uma compra de €1.500 repartida por 59 meses implicaria uma prestação na ordem dos €33,60 e um custo total próximo de €1.982, dos quais cerca de €482 seriam juros. A taxa efetivamente aplicada a este plano tem de ser confirmada junto do Banco Best antes de aderir. A simulação considera apenas juros à TAN e exclui impostos e comissões.
O banco também não publica o período de isenção de juros (o intervalo entre a compra e a data-limite de pagamento sem encargos). Esse dado é essencial para quem paga a pronto e deve ser pedido ao emissor.
Benefícios
A recompensa principal é o programa TAP Miles&Go: 100 milhas por cada €100 em compras a crédito, ou seja, uma milha por cada euro gasto, creditadas na conta Miles&Go indicada pelo cliente. Para quem já voa TAP com regularidade e sabe converter milhas em bilhetes ou upgrades, é a razão de ser do cartão. Não atribuímos aqui um valor em euros a cada milha: o banco não publica taxa de conversão, e o retorno real depende inteiramente da forma como as milhas forem resgatadas.
A alternativa é o cashback: €1 por cada €300 em compras a crédito, creditado mensalmente na conta cartão. É simples e previsível, mas 0,33% é um retorno modesto para um cartão com comissão anual — e, repita-se, exclui automaticamente as milhas.
O cartão inclui ainda o Best Card Club, com descontos até 30% em parceiros aderentes, e a possibilidade de pagar em até 59 prestações compras superiores a €250 — uma flexibilidade útil para despesas grandes e pontuais, desde que se confirme a taxa aplicada.
Do lado tecnológico, tem contactless, cartão virtual MB NET sem custo, Google Pay e MB WAY. Atenção a uma ausência relevante: o banco não anuncia compatibilidade com Apple Pay. Para um utilizador de iPhone que paga habitualmente pelo telemóvel, isto é uma limitação prática diária, não um detalhe.
E o que este cartão não dá: não tem acesso a salas VIP de aeroporto e não constam seguros associados na informação publicada pelo emissor — nem de viagem, nem de compras. Num cartão vendido como produto de milhas, a ausência de um seguro de viagem publicado é uma falha de posicionamento; quem conte com essa cobertura terá de a confirmar junto do banco ou contratá-la à parte.
Requisitos
O acesso exige, antes de mais, ser cliente do Banco Best com conta à ordem aberta. Não é um cartão que se contrate isoladamente: implica uma relação bancária prévia, o que acrescenta um passo a quem venha de outro banco.
A idade mínima é de 18 anos e é exigido rendimento regular comprovado. Sobre este ponto, uma nota que consideramos importante: o Banco Best não publica qualquer valor de rendimento mínimo para este cartão. Não é um lapso do nosso lado nem uma isenção — é simplesmente informação que o emissor não divulga. A aprovação depende da análise de risco individual, que pondera rendimento, encargos existentes, histórico de crédito e responsabilidades já assumidas.
Da mesma forma, o banco não publica os limites de crédito mínimo e máximo associados ao cartão. O plafond atribuído resulta da mesma análise e só é conhecido no fim do processo. Quem precisa de um limite específico deve colocar essa questão antes de avançar com o pedido.
| Requisito | Condição |
|---|---|
| Idade mínima | 18 anos |
| Relação com o banco | Ser cliente do Banco Best, com conta à ordem aberta |
| Rendimento | Rendimento regular comprovado. O banco não publica valor mínimo; a aprovação depende da análise de risco |
| Aprovação | Sujeita a análise e aprovação de crédito |
| Limite de crédito | Não publicado pelo emissor |
Pontos fortes e fracos
O critério que usamos nesta redação é simples: um cartão de recompensas com comissão anual só se justifica se o benefício acumulado superar com folga o custo fixo, e se o titular nunca pagar juros. Medido por esta régua, o Best Gold Plus Visa divide-se claramente.
Fortes. Acumula milhas TAP Miles&Go à taxa de uma milha por euro sem ser um cartão co-branded da TAP, o que é raro no mercado português. Dá a opção de trocar as milhas por cashback, o que serve quem não voa. Permite fracionar compras acima de €250 em até 59 prestações. É isento em compras em euros no EEE. E disponibiliza MB NET sem custo, Google Pay e MB WAY.
Fracos. A TAEG de 18,5% está no limite máximo legal fixado pelo Banco de Portugal — não há margem para o cartão ser mais caro. A comissão de €40 aplica-se desde o primeiro ano e o preçário não prevê qualquer forma de a evitar. É obrigatório escolher entre milhas e cashback. Não há seguros publicados. Não há Apple Pay anunciado. E o adiantamento de numerário, a €4,25 mais 4,50%, é dos mais caros que analisámos.
A nossa leitura editorial: o produto é competente naquilo que promete acumular e desinteressante em tudo o resto. Vale pela taxa de milhas; não vale pelo pacote.
Para quem vale a pena (e para quem não)
Perfil 1 — O acumulador disciplinado que voa TAP. Vale a pena. Alguém que passa €1.000 a €1.500 por mês no cartão (supermercado, combustível, despesas domésticas), liquida a fatura por inteiro todos os meses e viaja com a TAP algumas vezes por ano. A esse ritmo, acumula 12.000 a 18.000 milhas por ano e paga €40 pelo privilégio. É a única situação em que a matemática deste cartão fecha claramente a favor do titular.
Perfil 2 — Quem quer apenas cashback. Não vale a pena. A 0,33% de retorno, são precisos €12.000 de compras por ano só para recuperar a comissão anual. Quem gaste €500 por mês (€6.000 por ano) recebe €20 de cashback e paga €40 — fica €20 mais pobre. Para este perfil, um cartão sem comissão anual, ainda que com recompensa mais baixa, é quase sempre a melhor opção.
Perfil 3 — Quem usa o cartão para financiar consumo. Não vale a pena, de todo. Com a TAEG no máximo legal de 18,5%, quem paga apenas parte da fatura está a contratar crédito ao consumo pela via mais cara disponível. Mil euros arrastados durante um ano custam cerca de €117,50 de juros, além dos €40 fixos, e qualquer prestação em atraso desencadeia ainda 4% de comissão de recuperação (mínimo €12) mais 3 pontos de taxa moratória. Se a intenção é repartir uma despesa grande, um crédito pessoal negociado tende a sair mais barato — e obriga a um plano de pagamento com fim à vista.
Um apontamento transversal: quem viaja com frequência fora da zona euro paga 3,85% de comissões nessas compras. Para essa despesa específica, um cartão sem comissão cambial é melhor escolha — ainda que o Best Gold Plus Visa continue a fazer sentido no consumo doméstico.
Como pedir
O pedido faz-se através do Banco Best e pressupõe que já exista, ou se abra, uma conta à ordem na instituição. A página oficial do cartão é bancobest.pt — Cartão Best Gold Plus Visa, onde constam as condições em vigor e o acesso ao processo de adesão.
Antes de submeter o pedido, recomendamos que confirme diretamente com o banco quatro pontos que não estão publicados e que pesam na decisão: o período de isenção de juros aplicável às compras; o limite de crédito que lhe será atribuído; a existência ou não de seguros associados; e a taxa concreta do plano de pagamento em até 59 prestações.
Prepare a documentação habitual de um pedido de crédito — identificação, comprovativo de morada e de rendimentos — e decida antecipadamente entre milhas ou cashback: a escolha é feita na adesão e condiciona todo o valor que retirará do cartão. Confirme sempre as condições finais no site oficial do emissor, que prevalecem sobre qualquer resumo, incluindo o nosso.
Conclusão editorial
O Cartão Best Gold Plus Visa faz uma coisa bem: acumula milhas TAP Miles&Go a uma milha por euro, sem obrigar a um cartão co-branded da companhia aérea. Para quem gasta bastante, paga sempre a fatura por inteiro e voa TAP, os €40 anuais compram um retorno defensável.
Fora desse perfil, as reservas acumulam-se. A TAEG está no teto legal de 18,5% fixado pelo Banco de Portugal para o 3.º trimestre de 2026, o que faz deste um dos cartões mais caros para quem financia consumo. A comissão anual não tem isenção prevista. O cashback alternativo, a 0,33%, exige €12.000 de compras anuais só para pagar a própria comissão. Não há seguros publicados, não há Apple Pay anunciado, e o adiantamento de numerário é proibitivo. O banco também não divulga rendimento mínimo, limites de crédito nem período de isenção de juros — ausências que obrigam o consumidor a perguntar antes de assinar.
Classificação: 4 em 5, com a ressalva de que essa nota diz respeito ao produto para o seu público-alvo estrito, e não ao consumidor médio.
Análise atualizada em agosto de 2026 com base no preçário publicado pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.